Mozambikes and the Smile of Gloria | Mozambikes e o Sorriso da Glória

During our donation event, another bicycle went to Gloria…

With a house made of straw on sandy earth, Gloria’s home gave us the feeling that everything was perfectly planned, clean and a model for the community.  Gloria lives in the Bairro Novo (new neighborhood) in the District of Boane.  We were received with a great smile from this woman of 33 years.  Of the 5 women receiving bicycles at this time, Gloria was the least timid and asked more questions than we did, watching us attentively and even commenting on our foreign clothing.  We laughed a lot during the fluid conversation, which made easier by the fact that Gloria speaks portuguese well.  She introduced her 5 children and began to tell us about her day-to-day.

She works in a machamba or small, subsistence farming plot, like more women in the region, producing cabbage, cassava and carrots.  In addition to selling along the road, she also barters with the other women to create a more rounded diet to bring home.  The machamba was considered near the Portuguese foundation Casa do Gaiato, though it took her 1.5 hours to arrive by foot.  Is that a lot of time, she asks us?  We replied that 3 hours walking each day was a lot for us, but she reiterated that in her village it is normal.  She asked us how it is in Europe, and we were practically ashamed to tell her that many people think walking 20 minutes is too much.  When we told her that many people even use cars to travel short distances of 5 km, she laughed and told us we must be in a big hurry.  Although we were there to help Gloria, it was she who gave us a valuable reminder for our own lives.

We talked about bicycles and how they can help people in the rural areas.  Gloria exclaimed that she always wanted a bicycle, but since she only earns about 2000 meticais (60 dollars) per month, the bicycle was simply something out of her reach.  She had never even ridden on a bicycle, and said that in her area you rarely saw a woman on a bicycle.

She would take advantage of a bicycle to sell her crops in further communities, and carry more crops.  She estimates that she could carry an extra 5 kilos, and if she couldn’t sell it all along the road, she could ride to the frontier border with Swaziland where there is a lot of transit.

Like some of the other women, Glória is also active in training the communities on hygiene and other lessons that she has learned from the local foundations.  Normally, on top of walking to her farming plot, she can spend up to 3 hours walking from home to home to talk to the people in her community.  With a bicycle, she could significantly reduce this time and even visit more homes or bring the message to homes in nearby villages.

“Here we live day to day”, she says.  The hardest part, she says that “hurts her heart” is when her children are hungry.  With the bicycle she will change a lot of habits to be able to provide more for them.  Mozambikes was thrilled to give a bicycle to Gloria to contribute to this change.  And we still have a lot of lives left to change!


Outra das nossas Mozambikes foi para a Glória….

Como uma casa feita em palhota, num terreno arenoso, dava-nos a sensação de estar num sítio perfeitamente planificado, limpo, pronto a ser usado para um modelo de fotos.
Assim era a casa da Glória, no Bairro Novo, no distrito de Boane.
Fomos recebidos com um grande sorriso desta rapariga de 33 anos. Das cinco senhoras, a Glória foi a menos tímida e a que tinha mais pergunta do que nós, olhava-nos atentamente e, no final, disse que gostava muita da nossa roupa de estrangeiro.
Rimo-nos muito e a conversa foi muito fluida, já que domina o português muito bem.

Apresentou-nos os seus cinco filhos e falou-nos do seu quotidiano. Trabalha na machamba* onde cultiva couve, mandioca e cenouras. Também pratica a troca de géneros com outras senhoras. A machamba fica perto da Casa do Gaiato mas até lá chegar, tem uma hora e meia de caminhada pela frente.
É muito tempo? Pergunta-nos!
Respondemos que bastante mas, para ela, é normal. São três horas do seu dia a caminhar a pé, há já muitos anos. Pergunta-nos como é na Europa…. E quase nos dá vergonha dizer que, para muitas pessoas, vinte minutos a pé já é demasiado. Dizemos que utilizamos o carro também para distâncias mínimas, tipo cinco km. Ela ri-se e diz que devemos ter muita pressa.
Será que tem razão? Fica a pergunta em aberto.

Falámos de bicicletas e da forma como estas podem ajudar as pessoas nos meios rurais. Entendia tudo e dizia que sempre quis ter uma bicicleta, mas dado ter uma renda mensal que não chega aos 2000 meticais por mês, vê um bicicleta como algo inalcançável. Nunca tinha andado e dizia que via muito poucas mulheres com uma.

A Glória também é muito ativa no que diz respeito a sensibilizações pela sua comunidade. Normalmente demora três horas a andar de casa em casa. Com uma bicicleta, poderia reduzir esse tempo a uma hora e ainda visitaria mais casas.
Para além da sua zona, também gostaria de ir a outras comunidades, que estão a uns trinta km da sua casa, e difundir mais estas mensagens para prevenir doenças.
Aproveitava estas formações e até metia a hipótese de vender também os seus produtos às outras comunidades.
Com a bicicleta poderia transportar mais uns cinco kilos e, se não conseguisse vender tudo, o que sobrava, poderia ir para a estrada perto da fronteira.
Aqui “vive-se dia a dia”, diz. A única coisa que “lhe dói o coração” é que os seus filhos passem fome. Com a bicicleta a sua vida mudaria muito.
A Mozambikes já contribui para isso.
Mas ainda podemos mudar muitas mais vidas!

Dicionário em Dialeto:

  • Machambas– terreno agrícola para produção família.
  • Nota: Esta doação, em específico, foi possível graças à MPDC- Maputo Port Development Company ao qual agradecemos, desde já, o seu importante contributo. Contributo este foi o resultado de um dia de evento corporativo com as famílias dos empregados, onde após a sua finalização, decidiram doar as bicicletas.Image

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